segunda-feira, 26 de abril de 2010

U.C. e eu...

Eu sei que demora, mas é que o tempo passa tão rápido que é difícil encontrar uma brecha para escrever.

Hoje queria dizer que já sinto saudades, mas é daqui. Já estou na metade do caminho. Já em ritmo de provas. Já com o coração amando dois amores. O amor pela menina dos olhos de Portugal e pela musa inspiradora do samba e das bossas no meu Brasil. Folgo dizer "minha Coimbra". Digo segura, "minha Cidade Maravilhosa". De um lado são aqueles beijos que parecem não ter fim, como quando se beija sabendo que em pouco tempo vai-se embora. Do outro é o carinho que só aumenta até quase explodir, que aperta ate quase doer, sabendo que o encontro se aproxima.

Mas deixemos o Rio pra quando eu volta pro Rio.

A alma de coimbra é mesmo a U.C.. Há campus universitários espalhados por toda a cidade, bem como infraestrutura que possibilita seu bom funcionamento. Alojamentos e residências estudantis, principalmente próximas à Praça da República, à Sé Velha, a parte mais antiga e histórica de cá. Também a parte mais badalada, especialmente às terças e quintas à noite (o que não exclui todos os outros dias da semana). Há ainda as cantinas aos montes, linhas de ônibus (do sistema municipal de transporte) que funcionam em função do calendário e horário universitário, como também as tantas bibliotecas que chegam a ocupar salões e corredores de algumas faculdades, repletas de jóias.


Ser estudante em Coimbra é algo que todas as palavras que eu possa escrever aqui não alcançam.


A minha faculdade, Psicologia e Ciências da Educação, me parece ser um dos mais antigos prédios da Universidade. Antigo, não velho. Tem as suas adaptações mas conserva as escadarias de pedra gasta, os azulejos pintados à mão, as passagens arqueadas forradas de tijolos sem reboco, a frieza interna das paredes de pedra, grossas. No centro, um claustro, assim como em várias outras contruções de cá. Não é preciso esfororço para se reportar à vários anos atraz quando se vê os estudantes de hoje, trajados, com suas capas pretas, a circular pelos arcos do claustro. Lembra mesmo Hogwarts.

Como eu disse, antigo, não velho, tampouco mal cuidado ou ultrapassado. Em cada sala, cada uma delas, há um computador na mesa do professor, com internet livre como em qualquer outro espaço da universidade. Há também um projetor e caixas de som bastante utilizados tanto pelos professores quanto pelos alunos em suas apresetações de trabalhos.

Colóquios, seminários e tertúlias são recorrentes. Uma pena só haver 24 horas por dia, 7 dias por semana. Com só isso de horas, a semana não abraça nem um terço do que eu gostaria.
Há os prédios novos do polo II, de engenharia, mas desses quase nada sei. Há os hospitais que ainda não conheço. Há tantas outras coisas que me faltam em apenas 3 meses. Minha irmã linda já me dizia: "Podiam vender tempo a varejo."




P.S.: Vídeo gravado logo na primeira semana em Coimbra, prédio principal, reitoria. Fotos, em ordem: parte da Praça da República; Sé Velha; Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Água na boca.



Falta o "B" mas é que eu fiquei com fome. Comi. Uma das coisas mais prazerosas por aqui é comer.

Comecemos pelas cantinas. Tem a dos grelhados, a vegetariana, a amarela, a dos hospitais, do dric, a verde, a do isec, a da sereia... Há cantinas estudantis variadas e abertas a todos com refeições à partir de €2,15. Esta inclui pão+sopa+prato principal+água ou refresco+sobremesa doce ou fruta. Há pães variados como em toda terra lusitana que se preze. As sopas são cremosas, quentinhas, vira e mexe tem caldo verde, a canja é sopa de macarrão conchinha com galinha (só!) e mesmo assim é gostosa. O prato principal vem muito bem servido mesmo! É difícil comer tudo. Além de bacalhau, natas e batatas, tem muita carne de porco na dieta portuguesa mas felizmente sempre há peixe fresco como segunda opção. É de lamber os beiços! A sobremesa costuma ser arroz doce, que é muito típico aqui, leite creme ou pudim. As frutas no começo pareciam todas pêras. A maçã e até a banana tinham gosto de pêra. Agora já diferencio bem. Devo ter começado com uma safra meio esquisita. Sempre tem laranja. As laranjas aqui são suculentas, doces no ponto certo. Como laranja praticamente todos os dias. Poderia dizer que é pelo sabor; Poderia dizer que é por que me faz sentir mais saciada ao final da refeição; Ou ainda que como seguindo conselhos que me foram dados de coração; Poderia dizer que é porque lembra meu pai que dedicava longos momentos da refeição descascando a laranja em espiral, limpando a pele branca e comendo gomo por gomo; Mas como porque como e poderia dizer que estou me viciando em laranja.

Nos mercados tudo que é engordativo é uma pechincha: muita comida pronta e congelada, sacos colossais de batata chips, chocolates, sorvetes, doces, pães, queijos... Ah... os queijos! São de fazer virar os olhos (mas estes são mais caros). Há fiambre (nosso vulgo presunto) de vários subtipos e há o presunto, que é bem vermelho, quase vinho, seco e salgado. Fora o salame, chouriço, chourição, e mais um monte de embutidos. Petiscos não faltam para se apreciar um bom vinho, mas o vinho rende um post à parte qualquer dia desses. Em meio a isso tudo, há saladas! Sim! Saladas, peixes, cereais, legumes, frutas, etc e tal. Dá pra ser saudável, só é difícil.

Toda a semana há jantares na casa de um ou de outro. Os convidados levam bebida e o anfitrião oferece a comida. Geralmente são uma socialização pré-nigth. Há os de aniversário, os de desculpa pra beber, os que surgem na hora por que todos se juntaram na cozinha pra um dedinho de prosa e há também os temáticos. Já teve turco, alemão com polonês e, é obviamente, o brasileiro, com direito à arroz, feijão, farofa e caipirinha.

Sobre os restaurantes eu sei pouco. Provavelmente em Julho poderei discorrer um pouquinho sobre isso mas por enquanto é só cantina, e olhe lá!

Só de escrever já está me dando água na boca e daí mesmo que eu tiro a solução para o meu problema: muita água na boca! Garrafinha na bolsa é indispensável. Chá gelado ou quente também ajuda muito. Estou me empenhando para não descer rolando do avião quando pousar na minha cidade maravilhosa.

Enfim, a foto acima fui eu quem tirei do meu prato de sopa de letrinhas que a Francy fez. A foto abaixo, na minha residência, foi de um fotógrafo amador anônimo, não é das melhores mas é a que eu tenho e que tem a maior parte das pessoas reunidas. Não reparem nas datas sem nexo.

Espero que tenham sentido o gostinho de alguma coisa daqui. Se não, sempre é tempo de fechar os olhos e se abrir para os sentidos e para a imaginação. Porque não?

Bom apetite à todos.