domingo, 10 de outubro de 2010
À procura da batida perfeita.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Carinho de fim de tarde
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Um último beijo
Minha alma canta. Era assim que começava a música a soar dentro de mim quando o avião se aproximava do chão. Tem muita verdade nos clichês e realmente não há lugar como o nosso lar. Há um pouco mais de uma semana que revivo minha vidinha carioca e tem horas que parece que eu nunca estive fora. Estou muito, muito feliz mesmo, em estar de volta. Algumas pessoas me perguntam se eu não gostava de lá. Eu adorava. Lá é uma delícia, mas eu prefiro aqui, ainda que nem tudo seja flores.
É fácil pensar que há flores por todos os lados quando se está longe mas a realidade não é tão gentil quanto os nossos pensamentos. A coisa é que na 'terra dos pensamentos' dá pra brincar com a realidade e dar a ela os contornos que quiser. A 'terra firme' nem sempre sustenta essa ficção. A realidade é que a realidade daqui me rasgou por dentro. O que não é de todo mal. Quando mexe dentro da gente, a gente se mexe.
Esse é um post de despedida. Não sou muito boa em dizer tchau então não me admira nada que não seja o mais lindo post aqui publicado. Mas eu precisava de um último beijo. Um beijo de adeus. Por favor, sintam-se beijados com gosto de vinho do Porto e pastel de Belém.
É, é um post triste. Mas é também feliz na sua tristeza. Às vezes é preciso se desfazer de coisas queridas para abrir espaço para outras. A noviça rebelde me disse quando eu era pequenina que sempre que Deus fecha uma porta ele abre uma janela. É mais ou menos isso: fecho as portas do “Ora, pois!” e abro a janela do “Tertúlia em Caracóis”.
Obrigada a todos que leram com carinho as minhas palavras distantes, que me fizeram sorrir com comentários amáveis e me acompanharam até aqui. O simples fato de saber que vocês viveriam comigo cada letra foi meu maior incentivo. Obrigada especialmente para quem pediu que eu não parasse. Me convenceu. Agradeço mais uma vez e convido para entrarem pela janela. Confabulem comigo. Fiquem à vontade:
www.tertuliaemcaracois.blogspot.com
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Estou a dois passos do paraíso
Apesar o título prometer uma declaração à cidade maravihosa, este post não é para isso. É para dizer que seguem, abaixo deste, os dez dias da trip Poly, Angela, Barcelona, que inclui Porto, Lisboa e Girona também mas foram passagens para aquela que era a idéia principal. Teria sido bacana se eu colocasse um de cada vez nos seus respectivos dias mas só tive tempo de organizar melhor os textos agora, então, aí vão.
Décimo dia; 14/08
Hora de dar "até logo" para Angela. Ela vai e eu fico mais dois dias. Passamos a manhã a organizar as coisas e enfim: aeroporto. Houve tempo de uma lazanha de mariscos antes de deixar a irmã mais linda que eu tenho pegar o vôo.
Foi um tempo bom que durou. Nem muito, nem pouco: durou. Foi tempo de malhar as batatas da perna, tocar e ver de verdade o que nos mostravam as fotografias online, tempo pra gente se conhecer mais e perceber que nos conhecemos pra além do que imaginávamos. Ainda que algumas coisas não sejam ditas, a gente sabe, e sabe que sabe. Era na propaganda da Sadia que dizia: "é bom saber que alguém te ama de verdade, bom saber que alguém e quer tão bem"? Acho que era... E o querer bem "apesar de" é a magia da coisa. Os apesares que fazem da relação algo especial. Saber que o nosso diferente tem um 'quê' de semelhante e que o nosso semelhante quem um 'quê' de diferente, como cantam no forró, incrementa a relação com essa aura cintilante. É o Amor, minha gente. Não tenho como me cansar de falar Nele.
O dia ainda estava pela metade quando a deixei o que me deu o privilégio de ir à Quinta da Regaleira, em Sintra. Descobri que em Sintra existe um Palácio da Pena! Pena que estava tão longe e não dava pra eu ir. Isso até me soa familiar. Mas o palácio está lá.
De volta a morada em Oeiras, estava eu a divagar com meu branquinho perolado quando o Joaquim sugere um filme:
- Já viu Avatar? Tenho aqui.
Avatar é mesmo um filme que agrada a todos. Ou quase. Tem o romance para os mais sentimentais, tiros o bombas aos montes para quem gosta de "filmes de macho" e tem ideal para aqueles que sonham. Talvez por isso que eu entre no hall dos que gostam. Talvez não. Talvez seja só uma questão de afeto. Talvez me afete. De fato tem uma das coisas que me afeta nesse filme, que me cutuca, são os rituais. Deixamos os nossos cairem no esquecimento, mas os rituais são aquilo que tornam um dia diferente dos outros. Pode ser por isso que, muitas vezes, os dias parecem todos iguais.
Por um motivo ou por outro, eu gosto do filme e foi o assistindo, comendo salada com um queijo, pra variar, delicioso, presunto bem fininho e bebendo algumas taças de vinho que dei boa noite ao último dia da trip Poly, Angela, Barcelona.
P.S.: Aquele presunto rosado que temos no Brasil, aqui chama-se fiambre. Presunto aqui é aquele bem vermelho e salgado que a gente chama de parma.
Nono dia; 13/08
Tinha pinguím! Um deles não parava de se exibir na água. Dançava batendo as perninhas e sacudindo o bico pra lá e pra cá. Tinha ainda uns outros que eu aposto que estavam namorando, num cantinho sussegado, deitados, um com a cabeça sobre o outro. Sao tão fofinhos, tão carinhosos, deve ser esse o motivo de cairem tão fácil no gosto da gente.
Tinha aqueles seres quase mágicos que se movem como plumas nas águas e brilham. Tinha estrelas do mar, dragões marinhos e sapinhos minúsculos. E tinha crianças de toda Europa a perambular pelos espaços tão maravihadas quanto eu. Algumas com seus pais, outras em colônia de férias. Pois é, os miúdos têm muitas opções de férias por aqui: atividades nas praias, nos museus, nos parques, cursos, albergues... que sonho!
Depois de ver tanta vida marinha deu vontade de mar. Partiu praia de Cascais! Para melhorar, matei um poquinho da saudade de Coimbra com a companhia de Joana Júlia. Ô coisa boa! Ainda sobrou um restino de energia para ir à um concerto na Casa da Pólvora: XVIII Festival Sete Sóis Sete Luas. Tinha fado, musica espanhola, italiana, árabes... belíssimo ver gente que canta e toca de verdade.
Não importa o calor que faça durante o dia, à noite um casaco se torna necessário e quase indispensável por aqui. O friozinho nos impele ao aconchego noturno. Foi bom pra encerrar o dia.
Nono dia; 13/08
Tinha pinguím! Um deles não parava de se exibir na água. Dançava batendo as perninhas e sacudindo o bico pra lá e pra cá. Tinha ainda uns outros que eu aposto que estavam namorando, num cantinho sussegado, deitados, um com a cabeça sobre o outro. Sao tão fofinhos, tão carinhosos, deve ser esse o motivo de cairem tão fácil no gosto da gente.
Tinha aqueles seres quase mágicos que se movem como plumas nas águas e brilham. Tinha estrelas do mar, dragões marinhos e sapinhos minúsculos. E tinha crianças de toda Europa a perambular pelos espaços tão maravihadas quanto eu. Algumas com seus pais, outras em colônia de férias. Pois é, os miúdos têm muitas opções de férias por aqui: atividades nas praias, nos museus, nos parques, cursos, albergues... que sonho!
Depois de ver tanta vida marinha deu vontade de mar. Partiu praia de Cascais! Para melhorar, matei um poquinho da saudade de Coimbra com a companhia de Joana Júlia. Ô coisa boa! Ainda sobrou um restino de energia para ir à um concerto na Casa da Pólvora: XVIII Festival Sete Sóis Sete Luas. Tinha fado, musica espanhola, italiana, árabes... belíssimo ver gente que canta e toca de verdade.
Não importa o calor que faça durante o dia, à noite um casaco se torna necessário e quase indispensável por aqui. O friozinho nos impele ao aconchego noturno. Foi bom pra encerrar o dia.
Oitavo dia; 12/08
Ainda pela manhã, comboio em Campanhã, no Porto, para a Estação do Oriente, em Lisboa. Deixamos as malas na casa do Joaquim, o amigo da Maria, em Oeiras, e não tardamos em cair na capital lusa.
Havia um roteiro, com mapa, foto, tudo explicadinho, mas sumiu e por isso resolvemos ficar nas mãos do nosso anfitrião. Pra começar, Fábrica da Pólvora, Torre de Belém, Mosteiro dos Jerônimos, Pastéis de Belém, Docas, Armazém do Chiado, Sopa de Pedra, Bairro Alto. Começamos bem, muito bem.
A torre - mesmo em cima do mar - , o mosteiro - que abriga Camões e Vasco da Gama - e os pastéis - que como os de lá não há igual - ficam todos no mesmo sítio. Foi à caminho deste sítio que passamos por Dafudo (é cada nome que esses portugueses inventam). Lá, à beira do mar e da linha de comboio, morava meu pai e mora o meu tio João. Nunca havia conhecido meu tio, nem falado com ele, nem visto se não algumas fotos, talvez, que me falham à memória. Mas eu sabia que alí ele morou com meu pai, vó Deodata e Vô Antônio Lourenço. E sabia que agora ele morava por alí em outra casa com a sua esposa.
Quando passavamos pela rua principal do lugarejo, ví em uma das ruas transversais a tal União Recreativa do Dafundo, o clube do qual minha mãe nos contou que meu tio fazia parte. Pensei: Ó pá, se calhar indo lá descobrimos onde mora o tio! Assim fomos à cata do João Lourenço, marido da Idalina. Chegando ao clube as informações que a minha mãe deu ao telefone foram precisas: "Sai do clube e olha para a esquera, na esquina. Viu uma casa verde? É alí, no primeiro andar."
Caminha, caminha, atravessa a rua, ajeita o cabelo, interfona, espera... Uma senhorinha abriu a janela e olhou com cara de "quem são estas raparigas?".
- Dona Idalina? Eu sou Polyana, ela é Angela. Somos sobrinhas do João. Filhas do Vitor.
Na simples casinha portuguesa, rimos com as histórias divertidas do João. Vimos fotos do meu pai maroto de boca de sino, jaqueta de couro, topete e bigodão. Soube que ele era estudioso e bonito de parar o trânsito, segundo o meu tio. E conversamos, conversamos, conversamos...
Foi assim que conhecemos nosso tio português. Foi assim que ele abraçou as sobrinhas brasileiras. Foi mesmo assim.
Sétimo dia; 11/08
Não será para que cada um possa um dia encontrar a sua?"
(O Pequeno Príncipe)
Como apresentar o Porto à minha irmã em um só dia se nem eu que fiquei quase dois meses dei conta de conhecê-lo como queria? Whatever... Vamos começar pelo Niemeyer de Portugal: Álvaro Siza. O arquiteto contemporâneo que fez a as Piscinas de Leça, a Casa do Chá, a Fundação Serralves, a estação de metro de São Bento, entre outras coisas, mas estas foram as que visitamos.
Entre as paradas em Siza teve descanso na praia, pizza de gambas (camarão), de atum, de salmão, de chouriço, Sagres ruiva, Haggen Dazz. A hora vai passando e a gente nem sente. Até porque o sol se mantém firme e forte até às vinte e tantas.
O dia acaba tarde mas o horário de funcinamento dos estabelecimentos não. Sorte a minha ter estado no Porto há mais tempo para desfrutar dos jardins de Serralves, das exposições, das salas da Casa da Música que por hora está em reforma. Por agora foram menos passeios por dentro, mais passeios por fora. Fomos à Catedral e de lá descemos as ruas tortas e estreitas até a Ribeira. O sol desceu conosco em passos lentos, compartilhando seu brilho com o rio D'ouro até que a sua luz deu lugar às várias luzes que abraçam o rio quando o céu escurece.
O Rio D'ouro é a divisa entre Vila Nova de Gaia e o Porto, Porto mesmo. Da margem de cá víamos em Gaia as caves de vinho com seus letreiros florescentes, os monumentos envoltos por auréolas e milhares de outros pontos luminosos que eram como estrelas baixas. Com tantos focos de luz pouco se notava as estrelas altas, mas ainda assim elas estavam lá a agraciar a noite como sempre estiveram.
É facil se deixar levar pelo brilho ds estrelas baixas, das mais próximas, ainda que as altas estejam à espera, aguardandando cintilantes o dia do encontro. Não tem mal. É mesmo assim. As pequenas estrelas continuarão a brilhar. Para que, quando as luzes baixas se apagarem, cada um possa, um dia, encontrar a sua.
"As estrelas são belas por causa de uma flor que não se vê..."
(O Pequeno Príncipe)
Sexto dia; 10/08
Fomos logo cedo pras ruas em busca dos encantos da cidade. Agora tranquilamente, sem pressa, sem "ter que". Depois de cruzar o rio Onyar umas tantas vezes pela Ponte de Pedra e pela Ponde de Ferro do Eiffel conseguimos mapas e partimos pro passeio medieval. Pedras, pedras e mais pedras combinadas em muralhas, catedrais, ruelas estreitas, largos... às vezes a minha vista esfumaçava um pouco e eu via carruagens com damas de vestidos pomposos escondidas lá dentro, um principe a galopes, cavalheiros que exibiam suas armaduras lustradas... Esfregava os olhos e voltava a ver turistas e máquinas fotográficas no cenário dos meus sonhos.
Talvez por não ter criado nem uma fagulha de expectativa, Girona foi um lugar surpreendentemente adorável. É impressionante o que acontece quando não se faz na mente um filme do que ainda vai acontecer. As cenas se desenrolam tão naturalmente como nas mãos de um bom diretor.
À noite, com Alejandro de trilha sonora, de volta ao aeroporto, demos adios à mais recente campeã do mundial (diga-se de passagem, não havia resquícios de entusiasmos com a primeira vitória na copa).
Já quase havia esquecido o quanto era divertido estar com portugueses quando as luzes do avião se apagaram para o procedimento normal de decolagem noturna:
Senhora: - Logo vai se mudar a intensidade da luz. É só esperar um bocadinho que já vao pôr isto mais claro. Não vai ficar escuro assim.
É bom ter portugueses para alegrar a viagem!
Quinto dia; 09/08
Lá por Montjuic tem muita coisa junta. Tem a Arena, o Museu Nacional, centros de convenções, mais acima tem o Pavilhão Olímpico, tem obras de grandes arquitetos, clássicas e contemporâneas, tem uma rotunda bonita e tem a Fonte Mágica! Não sou eu que digo, é a placa. Mas ainda que a placa não dissesse seria fácil chegar à essa conclusão. De tempos em tempos as águas da fonte dançam e subem aos céus. Aí parece que o céu, azul imenso, é extensão da fonte. Dá mesmo vontade de fazer um pedido. E eu fiz...
Mas era também dia de gelado sabor crema catalunya, de torta de santiago e bacalhau com feijão branco (infelizmente esquecí o nome do prato). Dia de arriscar mais palaBras espanholas, fazer as malas, deixar a casa como encontramos, devolver as chaves. Dia de respirar satisfeita estes ares até o último fôlego.
Nós suspiramos a despedida. O céu chorou a nossa partida. Depois de duas horas no ônibus para Girona descobrimos que... tchan tchan tchan tchan: o vôo foi transferido para o dia seguinte, por causa das lágrimas que caíam fortemente sobre o aeroporto (esta é a versão combinada, mas podem me perguntar pessoalmente a versão verídica). Que fazer nas 24 horas seguintes neste lugarzinho no meio do nada? Sucumbir a Murphy? Jamais!
Nem sempre eu sei o tal "porquê das coisas" mas incrivelmente elas têm acontecido em consonância ao meu pensamento. Na cabeça a idéia é fixa desde o início: esta será "A" viagem. Com dia a mais ou a menos em Barcelona. Dentro ou fora do planejado. O "como" e o "porque" são o de menos. Isso a gente vai vendo. Por hora o taxista nos deu a solução: Albergue no centro histórico de Girona. Pra lá nós fomos, já ao anoitecer, descansar no beliche do quarto 44 depois de alguns bolinhos de bacalhau e um vinho de boa noite na Praça da Independência.
Nada como contratempos e desvios de rota para dar mais emoção e graça à vida.
Quarto dia; 08/08
Lá fomos nós: Faculdade de Comunicação, Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona, Parque Guell.
Bem na fente do MACBA e CCCB havia alguns muchachos a fazer manobras em bicicletinhas. Uma graça! Há destes por vários cantos daqui, bem como skatistas e praticantes de leparcu (aqueles que ficam pulando pelas paredes) - arte contemporânea!
Mas para além das piruetas sobre duas rodas, pedalar é parte fundamental da vida em Barcelona. A cidade é toda propícia para ciclistas. Rampas de acesso sempre! De poucas em poucas quadras há estações bicing. Uma excelente alternativa para o transporte público. Explicando bem resumidamente é assim: paga-se vinte e tantos euros por ano e pode se pegar e deixar as bicicletas bicing em qualquer uma das estações. Adorei!
Valtando ao roteiro... Como o nosso passeio em Barcelona tem um foco pré-definido, tivemos que deixar de ver as exposições em prol das casas do lúdico Parque Guell (ou "casas da história de João e Maria"). Para alguns pode ser estranho mas o leque de possibilidades que o artista dá à imaginação já o tornam merecedor da minha admiração. Saber que suas criações datam de mais de cem anos o elevam exponencialmente. Difícil encaixá-lo em algum estilo. É o mesmo que tentar encaixar (colocar em caixa mesmo) Chagall. Faz confusão. Eles foram diferentes do todo. Eles pensavam fora da caixa.
Na volta para casa percebi os cartazes alinhados nos postes que anunciavam o circuito de gays e lésbicas entre dois e oito de agosto. Estava explicada a variedade de tipos e casais bem à vontade nas ruas. O que nem tinha me causado tanta estranheza. Aqui, o ditado "ser diferente é normal" é uma bandeira erquida nas praças. A arquitetura do clássico ao mais "pra frentex", as roupas, os cabelos, a gente de cada canto do mundo, cada um na sua. Super normal! É bom ver na prática o que me disse a Zélia há uns tempos atrás: "Nem tudo que não é você é esquisito".
Amanhã é dia de dar tchau pra Barcelona mas posso continuar no mesmo verso da cantora: "Nem tudo que acaba aqui deixa de ser infinito."
Terceiro dia; 07/08
(Coração Sertanejo - Chitãozinho e Xororó)
Dificimente um europeu se arrisca a roubar um beijo intenso de uma dama logo no dia em que se conhecem, mas ficar pelado pode! Vi alguns tantos rapazes "à balançar" alegremente pela praia, moças de peitinhos arrebitados e peitões siliconados, naturalistas a passear no calçadão à frente do restaurante onde provamos Paella (comida típica à base de arroz e frutos do mar). Rapazes, moças, senhoras e senhores. Super normal! Brasileiros do meu coração, tive que entrar na brincadeira. Se o sol do Porto me deixou de biquinie, o sol de Barcelona me pôs de top less nas areias medierrâneas. Amarradona!
Além de peladões, na praia vimos o Peixe, de Frank Gehry. A tal escultura é mesmo bonita quando o sol, ao bater, faz do metal trançado brilhar escamas cintilantes. Andamos até o Centro de Convenções. Andamos até o "pirulito" do Jean Novel. Andamos até a Sagrada Família.
Eternamente inacabada, a Sagrada Família é, sem sombra de dúvida, algo que se poderia contemplar durante dias! Logo se nota o degradê da parte mais antiga para a mais nova do santuário. Podem pôr aí uma diferença de cem anos entre algumas das pedras que forram o tão visitado monumento. Havia muita inspiração na concepção deste projeto. Muito à frente do seu tempo, é a ousadia de Gaudí é o que o consagra.
Andamos de volta para casa e sendo sábado tivemos apenas o tempo mínimo para descansar as bolhas dos pés na varanda alarajada, deixar a água gelada refrescar a pele avermelhada e cair na noite amarelada de Barcelona. Não sei se é só por ser verão mas Barcelona me remete a cores quentes. A noite amarela da barcelona está na luz e no cabelo dos turistas que superlotam La Rambla. Tentamos achar algo mais de pueblo, pero una calle sem turistas no verão é quase impossível.
A noite foi boa! Boa pra exercitar o inglês, aprender qualquer coisa em francês e até un poquito de espanhol (ou foi catalão?). Não é difícil encontar gente bacana para bater papo. Parece que todos estão à procura de uma convesinha intercultural mas foi como eu disse: Dificilmente um europeu se arrisca a roubar um beijo intenso de uma dama logo no dia em que se conhecem, mas ficar pelado pode!
Segundo dia; 06/08
Fomos até o escritório do Josh pegar as chaves do apartamento e eu torcendo para que tivessemos a honra de um prédio à imagem dos que ví pelo caminho. Pequenas sacadinhas que abrigam compridas portas emolduradas das construções de cinco ou talvez sete andares, algumas delas por bom gosto floridas. Felizmente o nosso edifício é tal e qual. Ainda ganhamos de presente um terraço abraçado por vasos de plantas onde o pôr do sol enche de vermelho alaranjado o coração da gente no final da tarde.
Mas a tarde ainda estava no começo quando deixamos as bolsas e fomos visitar Gaudí, ou "as casas da pequena sereia", andando, é claro, para apreciar a cidade. Por sorte a nossa localização é excelente, nem muito atrás nem muito na frente, e em alguns minutos estávamos a bater perna no Paseo de Gracia até a Casa Batlló e La Pedrera. De lá, algumas praças, alguns tapas (aperitivos), mercado, casa, cama.
El Rio de Janeiro es mucho bonito pero Barcelona es muy muy... no lo sé! Só sei que sairei de cá querendo ser mais turista no Rio. Tirar mais dias para apreciá-lo, olhar calmamente os prédios, os jardins, as praças, as praias, as ruas, a minha cidade... dar-me mais tempo para me encantar com ela. É bem verdade o que lí outro dia, que "a verdadeira afeição na longa ausência se prova" (Camões). Meu afetos tomaram tamanha dimensão que não me admiro se explodirem de tanto que incharam.
Como "tudo neste mundo tem o seu tempo; cada coisa tem a sua ocasião" (Ecl. 3:1), esta noite foi tempo de descansar para dar continuidade ao longo roteiro arquitetônico que foi preparado para o dia seguinte. Depois de aproveitar o céu do entardecer da varanda, chapei na cama e tive bons sonhos.
Primeiro dia; 05/08
isso não é defeito
até aproveito mais."
(Falamansa)
"Dormir é para os fracos." Foi a frase da minha querida irmã. Pois então: FORÇA!
Depois de abraçá-la apertado, pular, compartilhar sorrisos, dar risadas e beber em tacinhas de plástico um vinho tinto frisante na estação de Campanhã, fomos à uma ceia portuguesa com certeza, preparada pela Maria: pão rústico, bacalhau crú com alho e azeite, bacalhau com natas, aleteria, doce de figos e vinho verde frisante... chego a salivar de lembrar o gosto.
Depois de bem saciar a fome fomos ao maior outlet da Europa, lá no fim do mundo, onde chamam Vila do Conde. Bem no meio do nada para os europeus gastarem mais dinheuro com a nova coleção nas lojas da cidade.
Continuamos por programas mais locais e menos turisticos. Para viver o Porto, vivamos como o povo do Porto, pois não? Na zona da praça o nosso primeiro drink da noite: Caipirão (caipirinha com Licor Beirão). Super aprovado! Passamos para as Galerias. Lá fomos de fino mesmo (fino é chop). No Piolho, sítio (lugar) estudantil tinha que ter nome assim, continuamos a experimentar bebidas nativas: shot de Ginginha. É feito de ginja, que nem o gajo que nos serviu sabia o que era, quanto mais eu. Depois de mais alguns finos brincávamos de escravos de jó com os copos (cheios) sentados no jardim a cantar Chiclete com Banana e Xutos e Pontapés com os tugas que amavelmente nos levaram para conhecer a noite do Porto e sabiam mais axés que eu.
Em algum momento me perdi no tempo. O que foram estes (quase) seis meses? Ora parece que foi uma piscadela de olhos, ora um sono mais ou menos longo. Já posso sentir todo o meu tempo do lado de cá do oceano como uma pequena pausa no meu cotidiano. Um retiro de crescimento pessoal. E foram tantas emoções (acompanho o rei na risada, hehehe) que se chorei ou se sorrí nem importa tanto. Valeu a pena, no strictu sensu, cada momento.
De volta no tempo e de volta à morada em Moreira da Maia. Dormir? Pra quê? Um cochilo de duas horas foi o máximo para não chegarmos atrasadas ao aeroporto. Destino: Barcelona! Mas aí já é outro dia.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Dizem que o amor atrai...

Obrigada por todas as histórias de amor que me têm sido contadas. Delas vieram outras mais. Já agora transborda uma nova. Não que eu tenha deixado de lado meu amor pela menina dos olhos de Portugal, a querida Coimbra, mas agora me vejo envolvida por um senhor de idade, e muita... com o Porto. Neste últimos dias ele tem feito charminho pra mim. Tem cantado fados e feito de tudo para me conquistar. E ele é bom nisso. Tão bom que me despiu! O sol do porto me pôs dias seguidos de biquinie na praia, coisa que o sol do Rio não conseguia há tempos.
As construções erquidas em pedra seculares, os painéis de azulejos desenhados, as ruelas estreitas, o brilho do fim da tarde refletido no rio D'ouro, os pássaros que dançam e cantam à certa hora do entardecer sobre a Ribeira, os castelos (de verdade, onde moraram reis e rainhas!), os quintais com parreiras retorcidas já cheias de futuros vinhos, as praias rochosas, tudo me leva a encontros românticos.

Foi mesmo assim: Quis me alimentar de histórias de amor e a cada dia me são servidos banquetes. Enchi meus ouvidos de forró durante semanas e lá estava eu a gastar a sandália no Favela Chique na última sexta-feira como um carrossel. Liguei em busca de uma voz amiga e consegui quatro de uma vez só pra melhorar o meu humor. Sonhei com abraços dos meus cariocas e hoje mesmo, quando "por acaso" estava a tentar achar a dona de uma carta de motorista que "por acaso" foi parar nas minhas mãos, ganhei de presente um abraço apertado e uma tarde a perambular com um amigo querido que trabalhou comigo no CCBB, no Rio, e que "por acaso" estava a passar na rua das galerias de arte ao mesmo que eu quando ia em busca da morada da rapariga dona da carta. Não achei a dona, mas achei Léo e, se calhar, era mesmo para isso que a carta servia.

Amo muito tudo isso e incrivelmente tudo isso bateu então à minha porta. Felizmente ouvi as batidas como se ouvisse música e cantei com elas. Felizmente eu as quis e por isso elas vieram. Ó pá, dizem por aí que o amor atrai, pois não? Tenho acreditado nisso cada vez mais, como sempre acreditei há tempos atraz. Essa minha crença só andou meio engavetada talvez, com uma abertura de soslaio. Agora, quanto mais se abre a gaveta, quanto mais ela se enche, mais espaço parece que tem. Como na bolsa da Mary Poppins. Com espaço que nunca acaba. Foi meu parente distante que disse "Tudo na vida tem o estigma da caducidade. Só amar não acaba". Que bom que a gaveta suporta essa infinitude.
Foto 1: entardecer na Ribeira
Foto 2: praia de Matosinhos
Foto 3: Castelo de Guimarães
Foto 4: Estação de São Bento
domingo, 25 de julho de 2010
Não acaba nem tira férias.

Era uma vez uma menina que bebia demais...
Assim começa uma das histórias que me contaram. Quem contou não viu, mas escaparam sorrisos com covinha do meu rosto. Um início pouco tradicional mas assim já começaram alguns tantos contos, sagas, epopéias e historietas românticas.
Me contaram porque ando a cata de histórias de amor. Tenho me alimentado delas. Elas estão por toda parte: nos fados, nas músicas de Xutos e Pontapés e de Maria Clementina, na memória dos que se apaixonaram, nos livros. Não passo fome.
Comprei um livro de um distante parente português. Chama-se Frederico Lourenço. Se um dia escreverem um livro lembrem-se que ainda que o ditado popular nos ensine o contrário, julga-se o livro pela capa. Foi ela que me atraiu. Discreta e pálida, de cartão flexível e macio. No topo o nome do autor, ao pé "livros cotovia" com letras menores e um passarinho azul (ví logo que era aquele que conta as coisas que não se sabe quem contou). Entre o topo e o pé, um pouco mais acima do meio, em letras grandes e azuis: Amar não acaba. Deixo em aberto o que corre pelas páginas do livro em prol do exercício da imaginação.
Um dia desses estava a toa no trabalho a passar os canais quando ví em Hollywood o título "O amor não tira férias". Mais uma vez a imaginação veio à tona porque milagrosamente o restaurante encheu e não consegui ver nada do filme enquanto sorria para os clientes.
Juntando as coisas cheguei à conclusão imaginária de que "amar não acaba nem tira férias". Entretanto, aconteceu que uma das belas história que me contaram depois carregava consigo um suspiro final: "Lindo, né? Pena que a vida não é toda assim." Eu quis muito mas não soube dizer o que acontece com amar quando parece que amar não está. Daí eu disse apenas: " Bem... depois você comenta esse texto." (Este mesmo. É que eu estava escrevendo enquanto me contavam).
Não foi a resposta merecida mas nem sempre eu tenho as palavras que gostaria. Quem sabe, algum de vocês que passam por aqui as tenham. Se tiverem me dêem este presente. Se não, me dêem ao menos um história para o pequeno almoço.
http://www.nletras.net/maria-clementina-veio-a-maria-clementina/
sábado, 17 de julho de 2010
Percebes?
You say why
And I say I don't know
Oh, no
You say goodbye
and I say hello
Hello, hello..."
Como todos os dias, acordei cedo. Acordei até mais cedo que o de costume mas ainda assim tive que correr pra não perder o autocarro. No autocarro descobri que o meu cartão de passe não funciona na paragem mais próxima da minha casa. Vejam bem, eu expliquei pra rapariga que fez o meu cartão que eu queria ir todos os dias das Guardeiras à Matosinhos e paguei pelas respectivas zonas, como manda a boa conduta. Mas, segundo o motorista, eu teria que andar até a próxima paragem, aí sim, tomar o bonde. Teria. Mas se eu demorar dois minutinhos procurando o cartão na bolsa, já dentro do veículo, não tenho. É o tempo de chegar na próxima paragem e pronto. Jeitinho brasileiro? "É sinsinhôra"! Mas também os portugueses inventam cada uma!
A lingua é a mesma em teoria mas na prática eu tenho as minhas dúvidas. Existe um vão na comunicação para além do meu vão entendimento. Se camisola se usa em tempo frio, durex é preservatio e quando ofereço refrigerante os miúdos perguntam-me "tem picas?", concordam comigo que as diferenças linguísticas causam, no mínimo, ruídos na comunicação?
Talvez não seja novidade o próximo caso porque já contei para algumas pessoas, mas numa das noitadas de Coimbra aconteceu assim:
- Boa noite. Quanto custa? (apontando pro lado onde tinha um grande variedade de sandes)
- Dois euros.
- Todos eles?
- Não senhora, cada um.
Será que estavamos com tanta cara de fome pro gajo achar mesmo que queriamos os 20 sanduiches da montra (vitrine)?
http://www.youtube.com/watch?v=hIrRNFa8OiA&feature=PlayList&p=4645E17F5561CD2C&playnext_from=PL&playnext=1&index=102
P.S.2: Hoje falta exatamente um mês. \o/
terça-feira, 13 de julho de 2010
Um é pouco, dois é bom, três dá samba!

No meu primeiro dia de trabalho saí direto pra um club com música brasileira ao vivo de altíssima qualidade, mais mpb. No segundo não faltou vontade mas faltou companhia pro samba que rola aqui mesmo, em Matosinhos, no "Blá blá" ou no "Vicio da Carne". Nao é um "Samba do Ouvidor" ou um "Beco do Rato", mas vale...
A Di Legna fica a poucos minutos da praia de Matosinhos. Isso me deixa em uma situação no mínimo agradável e me concede bons momentos como, por exemplo, o de agora: eu e meu zézinho (meu branquinho perolado da acer), de frente pro mar, à sombra de uma árvore, deitados na canga estendida sobre a grama a ouvir o barulho das ondas, músicas de Chico Buarque e o som das pessoas que perambulam por aqui a aproveitar a tarde de sol.
Só de pensar que meus intervalos vão passar assim alguns dias, noutros serão num café a tomar chocolate quente e escrever um pouquinho sobre minhas divagações ou ainda de algum outro jeito delicioso que dá pra se inventar, já consigo ter ânimo de acordar cedo pra vir pra cá. Até porque não será por muito tempo essa brincadeira. Dura mais uns 2o dias no máximo e eu não quero perder nem sequer um deles. Pois é, está quase no fim.
Estive aqui a pensar, hoje mesmo, no jargão que diz: "No final tudo acaba bem. Se não está bem é porque ainda não é o final". Pois o final está a me fazer timidas cócegas! Só pra lembrar, faltam 23 dias pra abraçar a minha irmã, 36 pra pisar em solo carioca, 38 para o meu próximo fim de semana na Lapa, 40 para comer pastel da feira e feijão-com-tudo-dentro da mamãe, entre outras coisas que estão agendadas no meu coração.
P.S.: Que rumo dessa prosa... o final nem parece que é do mesmo post que o começo. Acho que foi o mar que deu um caixote nas minhas idéias.
domingo, 11 de julho de 2010
Será tudo passageiro?

Também os tempos de trocador já se esvairam. Cá no Porto é assim: compra-se o bilhete "andante", que é de papel e recarregável, em um terminal eletrônico que há em todas as estações de metro (que se diz métro). No terminal há uma lista com todas as paragens e a respectiva equivalência como zona ( Z2, Z3, Z4, e assim por diante). Quanto mais distante a zona, mais caro é para carregar o bilhete, que serve tanto para autocarros quanto pra metro. Em teoria, é obrigatório validar o bilhete numa caixinha amarela fincada no espaço sempre que for utilizar o transporte. Ele é válido por uma hora para tomar quantos veículos for necessário. Na prática: bilhete comprado e validado segundo a moral de cada um.
ainda outros mil modos muito criativos para dar um jeitinho de não pagar as passagens. O problema aqui é quando um fiscal surpesa, que as vezes surge dentro dos veículos com uma maquininha-checa-conduta, pega algum sujeito-mané no flagra. Além da vergonha, são € 70,00 de multa. segunda-feira, 5 de julho de 2010
Foi. Fim.
Foi, pelo menos, uma ótima oportunidade de ficar junto do meu povo. Ainda que timidamente agrupados, como no "amistoso" contra Portugal, os brasileiros estavam sempre presentes. O primeiro jogo, ainda em Coimbra, foi de torcida quase unanime nos jardins da Associação Acadêmica. Em Brasil x Coréia, o resultado fez rolar roda de samba e torcedores pelo gramado às cambalhotas. Neste dia minhas malas já estavam prontas e eu já me preparava para dar tchau a Coimbra e olá ao Porto. Estar ao lado das queridas meninas do Recife, do Sul, de Minas, das cariocas e todos os outros foi mais valioso que o placar final em sí. Não esquecendo que o gostinho da vitória dá um tempero especial à diversão! Foi mais uma das boas despedidas de Coimbra. Sinto até que parti de lá em boa hora. Antes que todos já tivessem ido embora. Antes que a Residência Pedro Nunes virasse só saudade.
No segundo jogo eu já estava a respirar novos ares lusitanos. No Porto, assisti a partida no conforto do sofá com direito a skol (o que é quase refresco em comparação à super bock ou sagres) e uma caipirinha meio torta (com açúcar amarelo). Para comemorar o resultado de Brasil x Costa do Marfim fomos perambular com os nossos meiões verde e amarelo até parar no Café Paris: belíssimo! Com vitrines de quatro ou cinco metros de altura que ocupavam as paredes do chão ao teto cheias de cacarecos e quEm Brasil x Portugal fomos a la praia de Matosinhos. E não é que por aqui dá mesmo praia! Pintou muita gente de trajes de banho a tostar nas areias e se refrescar no mar gelado. Alguns gatos pingados verde-amarelos foram também para o meio da portugaiada de camisola (que aqui significa blusa de manga comprida) ver aquele joguinho de comadres. Não entendo até agora porque os nativos de cá não paravam de aplaudir e soprar suas vuvuzelas (tipo cornetas de plástico e som grave). Tanto barulho por causa de uma não derrota? Mas foi engraçadinho ouvi-los torcer. Algo como "ó pá, fógo, foudass...".
O rio Douro foi o cenário de Brasil x Chile. Na ribeira havia apenas um chileninho (não é chinelinho) a sofrer no meio da massa brasileira que vibrava a cada gol. Este jogo pedia como trilha sonora Benjor cantando: Só não entramos com bola e tudo por humildade. Foi uma belezura. No fim do jogo, alguns canadenses e outros brasilieros residentes na Inglaterra já haviam se agregado a nossa mesa para compartilhar as alegrias do resultado.Achava eu que assistir o jogo à beira do Douro traria sorte novamente... ledo engano. Pra começar não sei de onde surgiu tanto holandês. Estavam lá bem menos exibidos que os brasileiros mas foram eles que roubaram a cena e dançaram o vira já que os portugueses falharam na tentativa. Daí: Fim. Pelo menos para mim. Depois me contem qual a seleção campeã de 2010.
Mas daqui a 4 anos a história vai ser outra eu estarei lá, ou melhor, aí.
Foto 1: Dia de jogo no Jardim da A.A.C.
Foto 2 e 3: Café Paris
Foto 4: Chileninho
Foto 5: Ribeira em dia de jogo
terça-feira, 29 de junho de 2010
Se a Analha não quiser ir eu vou só!
Estou convencida de que uma das apresentação foi mesmo um presente para mim. Não era Circo Voador nem Fundição Progresso mas eram elas e isso é o que importa! Céu & Roberta Sá na Casa da Música. Pra quem nao sabe, meu último show em solo carioca foi na Fundição, da Roberta. Se quiserem ter idéia do que foi há fotos minhas pingando de tanto suar no orkut. Além disso, saí do Rio numa onda de Céu e perdi o show dela no Circo. Quando soube que as duas estariam juntas tão pertinho de mim tratei de ir "a cata" de companhia para minha noite mpb. Sem sucesso na minha busca eu fui só, mas fui.
Evidente que nao fiquei só. No final do show da Céu, já inquieta por ter minhas cadeiras presas à confortável cadeira da elegante sala de concertos permaneci de pé durante a última música com mais alguns brasileiros que já não aguentavam mais danças de ombrinho. Durante o intervalo os corações já batucavam de expectativas: tinha que dar samba! Logo na segunda música a moça do vestido vermelho fez, saltar da cadeira a parte mais animada da plateia, e isso, é claro, me inclui. Em pouco tempo já havia uma quantidade considerável de bons "sambadores" ao longo das paredes laterais. Acreditem ou não havia até algumas portuguesas que deixariam muitas brasileiras no chinelo.Nós somos fogo e gasolina."
No fim das contas os mais saidinhos foram parar entre o palco e a primeira fila: umas 15 cabeças que não paravam de dançar, rodar e se deliciar. Ela retribuia nossos sorrisos cantando a um metro de distância deles. Os meus olhos brilhavam, ela os viu e agradeceu com um show que me fez suar num tubinho preto e gastar a sola dos meus sapatos de bolinha. A saia rodada e a sandália me fizeram falta."Agora é hora de vibrar,
sábado, 19 de junho de 2010
Um amor em cada Porto.


quarta-feira, 9 de junho de 2010
Era uma vez, um Caleb, português.

r aqui pego limão no pé, tangerina e hj mesmo peguei umas frutinhas quase ameixas, mas vermelhas por dentro, talvez sejam ameixas selvagens, sabe lá. Pego assim, na rua. Não preciso pular muro. Quem sabe em Dafundo, Liboa, terra das peripércia infantis do Sr. Lourenço, eu encontro algum quintal cheio de nesperas suculentas, esperando para serem arrancadas, deliciadas, de molecagem. Deus queira que o muro seja baixo!Foto 1: Nesperas
terça-feira, 8 de junho de 2010
Sobre promoções e velhinhos.

Já dei tchau pro voluntariado no Museu da Ciência. Doeu. Ainda assim sorri. Carreguei comigo a lembrança de miúdos quase prodígios, o riso eterno quado ouvir falar sobre as árvores graças a internacionalização de que as "arveres somos nozes", revi minha descrença no darwinismo, conheci pessoas boas no que fazem, encontrei um belo tema para minha monografia. Por só isso e por tantas outras maravilhosas coisas que fizeram este estágio muito precioso, sorri.
Já encerrei minhas aulas e exames. Falta dar ou meu professor de barba bem aparada algumas palavras sobre Fernando Pessoa que ainda nem comecei a escrever. Graças a internet posso enviar estes pormenores mais tarde, do Porto. É que vou pra lá em alguns dias. Tchau pra U.C. e em breve, tchau pra Coimbra. Ai ai...
Por enquanto ainda tenho aqueles afazeres pendentes de sempre e tenho as promoções. É sobre elas que eu quero falar. Será possivel dizer que não é algo na minha "área"? Basicamente ofereço argumentos que convençam o cliente a levar meu produto. Por vezes tem degustação. Por vezes não. Às vezes o produto é mesmo bom e as vezes... bem... Penso que tocar alguem através de sorriso e bons argumentos se encaixa bem na minha área.
Uma das promoções foi da Fanta Zero. Em pleno final de semana da "Queima" o que menos se procurava no mercado era por refrigerantes. Eu oferecia. "Não me apetece" pra lá, cabeças balançando negativamente e"Brigadissima" pra cá. Em meio a monotonia dia foram os velhinhos que fizeram a minha alegria naquele mercado.
O pimeiro, de paletó xadrez, boina, bengala, camisa, gravata, suéter, sandália com meia. O diálogo foi o seguinte:
- Que ofereces?
- Fanta zero.
- Conhaque?
- Não, Fanta zero.
- Ah. Não bebo.
Os velinhos de Coimbra são bem esteriotipados. Não há velhinho que se preze e não use boina. As senhoras com seus casacos pretos de lã ou malha grossa, cabelos braquinhos, broches, fivelas na cabeça, também honram seu estatuto de velhinhas. Comumente faltam-lhes dentes (e acreditem, até em alguns jovens).
Então veio o segundo, passo lento, como se caminhasse num parque a admirar as folhagens e o movimento dos traseuntes:
- Boa tarde! O senhor já conhece Fanta Zero? Gostaria de experimentar?
- Não, não conheço mas é que não me apetece beber nada agora. Hehehe. É que estou a procura da minha mulher que anda cá com o carrinho mas não sei onte ela tá. Não a vejo, hehehe, é pequenina, hehehe.
Impossivel não rir junto com a risadinha pueril daquele senhorzinho de, pá, uns setenta anos.
Veio ainda um terceiro que desencadeou uma conversa, no minimo, interessante:
- Antigamente tudo era natural. Antes de você nascer. O que não era, era proíbido.
Sorrí. Ele continou:
- Tudo que é natural faz bem, seja o que for. Mas hoje há muito açúcar, faz mal.
Para mim, nesta parte, ele não falava da fanta. Falava da Vida. Mesmo assim, não era o caso de analogias filosóficas e por isso continuei o meu trabalho:
- Mas esta fanta não tem açúcar. É zero.
- Você não tem nada a ver com isso mas a pior coisa que se pode beber é zero, é ligth. Você não tem nada a ver com isso, tás a ver? Tás a fazer o seu trabalho.
É a voz da experiência: "a pior coisa que se pode beber é zero, é ligth". Insisto! Ele falava mesmo da vida.
Teve piada (nosso "teve graça") trabalhar no final de semana da "Queima". Tenho mesmo muita sorte de sempre trabalhar em coisas agradáveis. Mas é como dizem:
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Força!

É preciso força pra sonhar e perceber
que a estrada vai além do que se vê"
Numa segunda ou quarta-feira dessas, me ofereci para ler um trecho do Livro do Desassossego quando o professor de barba grisalha, bem aparada, pediu um voluntário. Antes que eu começasse a série irônica de Bernardo Soares ele disse "força!" e voltou logo o olhar para a folha de papel xerocado com as palavras que já já eu iria declamar para a turma.
Num almoço de algumas semanas atrás, na cantina da sereia (ou foi na das medicinas?), esqueci de pegar a colher de sopa. Voltei e pedi licença, no meio da fila, para esticar o braço e alcançar os talheres. A menina que abriu brecha para mim sorriu e: "força!" mais uma vez.
Cá na 'terrinha', quando se diz "força!" (o ponto de exclamação é nota minha) é algo como "vá em frente!". Esses portugueses... são mesmo muito literais. Como já cantava o Camelo, é mesmo preciso força pra ir em frente, pois não?

Foto1: Cantina da Sereia.
Foto 2: Aula de Estudos Pessoanos I. Dr. José, de barba grisalha, bem aparada, ao fundo.
P.S.: "Pois não?" = "Não é?"
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Comida, bebida, diversão e arte!

terça-feira, 4 de maio de 2010
"Acalma o grelo. A queima vem aí."


segunda-feira, 26 de abril de 2010
U.C. e eu...

estudantis, principalmente próximas à Praça da República, à Sé Velha, a parte mais antiga e histórica de cá. Também a parte mais badalada, especialmente às terças e quintas à noite (o que não exclui todos os outros dias da semana). Há ainda as cantinas aos montes, linhas de ônibus (do sistema municipal de transporte) que funcionam em função do calendário e horário universitário, como também as tantas bibliotecas que chegam a ocupar salões e corredores de algumas faculdades, repletas de jóias. 
P.S.: Vídeo gravado logo na primeira semana em Coimbra, prédio principal, reitoria. Fotos, em ordem: parte da Praça da República; Sé Velha; Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação.