segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Oitavo dia; 12/08

Acordamos cedo para (re) organizar as malas. Por sorte conseguimos encher uma delas com minhas papeladas e livros. Estes vão chegar antes de mim. Vão com a minha irmã para ver se assim não ultrapasso o limite de peso da bagagem. É tanta coisa pra levar... Fora a bagagem de mão. Fora a bagagem do coração.

Ainda pela manhã, comboio em Campanhã, no Porto, para a Estação do Oriente, em Lisboa. Deixamos as malas na casa do Joaquim, o amigo da Maria, em Oeiras, e não tardamos em cair na capital lusa.

Havia um roteiro, com mapa, foto, tudo explicadinho, mas sumiu e por isso resolvemos ficar nas mãos do nosso anfitrião. Pra começar, Fábrica da Pólvora, Torre de Belém, Mosteiro dos Jerônimos, Pastéis de Belém, Docas, Armazém do Chiado, Sopa de Pedra, Bairro Alto. Começamos bem, muito bem.

A torre - mesmo em cima do mar - , o mosteiro - que abriga Camões e Vasco da Gama - e os pastéis - que como os de lá não há igual - ficam todos no mesmo sítio. Foi à caminho deste sítio que passamos por Dafudo (é cada nome que esses portugueses inventam). Lá, à beira do mar e da linha de comboio, morava meu pai e mora o meu tio João. Nunca havia conhecido meu tio, nem falado com ele, nem visto se não algumas fotos, talvez, que me falham à memória. Mas eu sabia que alí ele morou com meu pai, vó Deodata e Vô Antônio Lourenço. E sabia que agora ele morava por alí em outra casa com a sua esposa.

Quando passavamos pela rua principal do lugarejo, ví em uma das ruas transversais a tal União Recreativa do Dafundo, o clube do qual minha mãe nos contou que meu tio fazia parte. Pensei: Ó pá, se calhar indo lá descobrimos onde mora o tio! Assim fomos à cata do João Lourenço, marido da Idalina. Chegando ao clube as informações que a minha mãe deu ao telefone foram precisas: "Sai do clube e olha para a esquera, na esquina. Viu uma casa verde? É alí, no primeiro andar."

Caminha, caminha, atravessa a rua, ajeita o cabelo, interfona, espera... Uma senhorinha abriu a janela e olhou com cara de "quem são estas raparigas?".

- Dona Idalina? Eu sou Polyana, ela é Angela. Somos sobrinhas do João. Filhas do Vitor.

Na simples casinha portuguesa, rimos com as histórias divertidas do João. Vimos fotos do meu pai maroto de boca de sino, jaqueta de couro, topete e bigodão. Soube que ele era estudioso e bonito de parar o trânsito, segundo o meu tio. E conversamos, conversamos, conversamos...

Foi assim que conhecemos nosso tio português. Foi assim que ele abraçou as sobrinhas brasileiras. Foi mesmo assim.

Um comentário:

  1. aiii que tudo POly. mesmo muitooo legal. não pude deixar de sentir aquele arrepio que sentem as familias reunidos no programa do Gugu ( é esse? já faz alguns anos e posso ta me confundindo com algum outro.. :) Adorei o post!

    ResponderExcluir