terça-feira, 8 de junho de 2010

Sobre promoções e velhinhos.


Já dei tchau pro voluntariado no Museu da Ciência. Doeu. Ainda assim sorri. Carreguei comigo a lembrança de miúdos quase prodígios, o riso eterno quado ouvir falar sobre as árvores graças a internacionalização de que as "arveres somos nozes", revi minha descrença no darwinismo, conheci pessoas boas no que fazem, encontrei um belo tema para minha monografia. Por só isso e por tantas outras maravilhosas coisas que fizeram este estágio muito precioso, sorri.

Já encerrei minhas aulas e exames. Falta dar ou meu professor de barba bem aparada algumas palavras sobre Fernando Pessoa que ainda nem comecei a escrever. Graças a internet posso enviar estes pormenores mais tarde, do Porto. É que vou pra lá em alguns dias. Tchau pra U.C. e em breve, tchau pra Coimbra. Ai ai...

Por enquanto ainda tenho aqueles afazeres pendentes de sempre e tenho as promoções. É sobre elas que eu quero falar. Será possivel dizer que não é algo na minha "área"? Basicamente ofereço argumentos que convençam o cliente a levar meu produto. Por vezes tem degustação. Por vezes não. Às vezes o produto é mesmo bom e as vezes... bem... Penso que tocar alguem através de sorriso e bons argumentos se encaixa bem na minha área.

Uma das promoções foi da Fanta Zero. Em pleno final de semana da "Queima" o que menos se procurava no mercado era por refrigerantes. Eu oferecia. "Não me apetece" pra lá, cabeças balançando negativamente e"Brigadissima" pra cá. Em meio a monotonia dia foram os velhinhos que fizeram a minha alegria naquele mercado.

O pimeiro, de paletó xadrez, boina, bengala, camisa, gravata, suéter, sandália com meia. O diálogo foi o seguinte:

- Que ofereces?
- Fanta zero.
- Conhaque?
- Não, Fanta zero.
- Ah. Não bebo.

Os velinhos de Coimbra são bem esteriotipados. Não há velhinho que se preze e não use boina. As senhoras com seus casacos pretos de lã ou malha grossa, cabelos braquinhos, broches, fivelas na cabeça, também honram seu estatuto de velhinhas. Comumente faltam-lhes dentes (e acreditem, até em alguns jovens).

Então veio o segundo, passo lento, como se caminhasse num parque a admirar as folhagens e o movimento dos traseuntes:

- Boa tarde! O senhor já conhece Fanta Zero? Gostaria de experimentar?
- Não, não conheço mas é que não me apetece beber nada agora. Hehehe. É que estou a procura da minha mulher que anda cá com o carrinho mas não sei onte ela tá. Não a vejo, hehehe, é pequenina, hehehe.

Impossivel não rir junto com a risadinha pueril daquele senhorzinho de, pá, uns setenta anos.

Veio ainda um terceiro que desencadeou uma conversa, no minimo, interessante:

- Antigamente tudo era natural. Antes de você nascer. O que não era, era proíbido.

Sorrí. Ele continou:

- Tudo que é natural faz bem, seja o que for. Mas hoje há muito açúcar, faz mal.

Para mim, nesta parte, ele não falava da fanta. Falava da Vida. Mesmo assim, não era o caso de analogias filosóficas e por isso continuei o meu trabalho:

- Mas esta fanta não tem açúcar. É zero.
- Você não tem nada a ver com isso mas a pior coisa que se pode beber é zero, é ligth. Você não tem nada a ver com isso, tás a ver? Tás a fazer o seu trabalho.

É a voz da experiência: "a pior coisa que se pode beber é zero, é ligth". Insisto! Ele falava mesmo da vida.

Teve piada (nosso "teve graça") trabalhar no final de semana da "Queima". Tenho mesmo muita sorte de sempre trabalhar em coisas agradáveis. Mas é como dizem:
"Não há trabalho ruin, o ruin é TER QUE trabalhar"
(Seu Madruga)

4 comentários:

  1. ola...bem peculiar esse seu post...analisando tds os pormenores de nossa estadia nessa terrinha, podemos tirar bem essas coisas peculiares, q só coimbra oferece...poly admiro sua persistencia e perseverança em crescer, em alcançar os seus objetivos...poxa sei que tem momentos em que vc fica zangada como hj,mesmo sem eu saber o pq, mas na maioria dos dias vc é quem cuida de mim com o maior carinho possivel...e nunca mede esforços pra me ajudar,vc é assim em td na sua vida...sempre vc da seu maximo, seja no trabalho, seja no estágio, seja onde vc por suas mãos e se interessar. Eu espero sinceramente que este sentimento de tristeza q esta assolando tds nesses ultimos momentos não atinja vc, pois pense sempre no q vem pela frente, o quanto aki foi bom e quanto será melhor os dias que viram, novas experiÊncias, novas aventuras, mais trabalalhos e mais Polyana que a cada momento que passa cresce e se descobre mais e mais...
    Bem vou ficando por aki, pq isso era pra ser só um comentário e eu acabei colocando só um pouquinho do sentimento enorme q eu tenho por vc...mas como sempre digo o verdadeiro sentimento n se consegue se expressar com palavras e ainda mais eu nunca vou conseguir...mas tentar sempre tentamos...ainda mais eu né...
    vc é mtttttttttt importante na minha vida...
    bjsssssssssssssss

    ResponderExcluir
  2. hahaha Tatá dramááááática! hehehe OK, estamos todas na fase "despedida", mas é deixar algo bom por outro algo bom! Além do mais, a maior parte do que você deixa por aqui são brazucas que logo logo estarão de volta à nossa Pátria idolatrada (Salve, Salve) e estaremos prontas pra passar um carnaval em Recife ou relembrar esse friozinho daqui em Porto Alegre, ou Gramado. Então, é só mais uma fase da vida que vai passar e dar lugar a tantas outras tão legais e importantes quanto esta.

    Resumindo, adorei esse post. De fato, sentirei falta destes velhinhos que muito se parecem com os "Manuéis" ou "Joaquins" que passam as tardes jogando damas nos bancos das praças de Copacabana.

    E dia 23... Festa Junina no Porto! hehe

    Obs.: Engraçado não termos muitos "Nunos"...

    ResponderExcluir
  3. aceitou meu título!
    "ela vem chegando..."
    td mundo triste com despedida e a gente alegre por aqi porque "ela vem chegando..." =)

    ResponderExcluir
  4. Como fico bobo lendo tuas estórias, querida. Te gosto demais da conta e não te vejo na hora em que chegar! digo, não vejo a hora de te chegar! digo, não vejo chegar-te a hora!, ah, vc entendeu!

    ResponderExcluir