
Eis o enunciado do outdoor ao pé da Universidade.
A Queima das Fitas começa na madrugada de quinta para sexta. A imagem mais palpável que criei pelo que ouvi até agora é de um mar de estudantes portugueses, trajados com suas capas de super-heróis, às ruas de Coimbra, de peito estufado e com a certeza de que, como super-heróis da Queima, podem tudo.
Não há aulas durante os dias da Queima. Nem aulas nem nada, ou quase nada, além dela. Penso aqui com meus botões que deve lembrar vagamente o nosso Carnaval mas, é claro, com um "Q" bem grande de tradição secular. Eu e minha mania de comparar aqui e acolá.
Mais que uma desculpa para beber, é uma festividade tradicionalíssima não só em Coimbra como em Portugal de maneira geral. Há no Porto, há em Lisboa, mas não é vivida com a mesma intensidade que na mais estudantil cidade lusitana. Pelo menos foi isso que me disse a Sophia, minha colega de estágio.
Sophia é casada a um ano e conheceu seu atual marido na Queima de 2001. Foi mais ou menos assim:
Estava ela com orelinhas de Minie que acabara de ganhar no happy meal (Mc lanche feliz) a percorrer as enumeras barracas de bebidas. A cada shot tomado era menos um pouco para a meia noite. Estava a espera das badaladas para comemorar o seu aniversário quando ele veio.
- Porque tás a usar estas orelhas? perguntou ele.
- Porque faço anos.
- Não, credito. Pois faço também! Como te chamas?
- Sophia, e tu?
- Não vais apanhar, são só três letrinhas...
- Hum, deixa-me pensar... Rui!
- Isso mesmo! Acertastes. És a mulher da minha vida, serás mãe dos meus filhos.
(É, rimos muito juntas! Podem rir daí também. Foi bem desse jeitinho.)
Uma semana depois, no show da Daniela Mercury, começaram a namorar.
Não, meus queridos brasileiros, não estou a dizer que a Queima é o lugar mais propício para dar inicio a romances eternos. É mais para histórias eternas. É justamente a raridade do acontecimento que o torna especial. Tão especial que vai entrar para o meu repertório. Afinal, é mesmo disso que é feita a boa vida: momentos raros e especiais.
Mas vamos falar da Queima tradicional.
Renderia, pá, linhas infinitas falar de todos os detalhes dessa festividade. Vou deixar para contar depois que eu ver tudinho com esses olhos que a terra um dia há de comer. Menos disse me disse e mais téti a téti. Por enquanto vou esclarecer apenas o tal do grelo.

É que na Queima das Fitas os estudantes do segundo ano das faculdades queimam a ponta do grelo no caldeirão em frente à Sé Nova. "Izatament", o grelo: uma fita, tipo de lã, da cor do curso, que eles levam junto ao peito no dia da Queima. O grelo faz parte do traje e só se pode usar depois deste ritual. Daí nome.
Depois disso, o grelo ainda é usado para umas tantas outras coisas mas isso é assunto para um outro post...
P.S: Foto 1, Serenta no primeiro dia da Queima, em frente à Sé Velha. Foto 2, queima do grelo em frente à Sé Nova.
Você levou suas orelhas do esquete dos carneirinhos???
ResponderExcluirMuito interessante essa Queima das Fitas, adorei =)Gostei, também, do título do post... quanta diferença do português daqui para o daí!! rs
ResponderExcluirP.S: Ri muito da forma que sua amiga conheceu o marido dela. Parece cena de filme, incrível!!
Beeijos!
hahahahaha Pena que não vou poder ficar mesmo pro Cortejo, mas oh querida amiga: quero fotos e mais fotos da sua provisória e meio quebrada máquina! E hoje poderemos tirar as nossas próprias fotos do início da Queima! =D
ResponderExcluirhahahaha muito boa esse história do grelo, me deu uma idéia p um nome de bloco de carnaval aki no Rio!
ResponderExcluirSatu
Estou adorando a sua forma de escrever.Acho que voce esta-se tornando uma verdadeira escritora.
ResponderExcluir