
Foi isso que disse o italiano amigo do pizzaiolo da Di Legna: "Trabalhar com um brasileiro é bom, com dois é melhor ainda, mas com três dá samba." E dá mesmo! Consegui um trabalho temporário como empregada de mesa, balcão, atendente de telefone e caixa, além de "passar um paninho" nas coisas porque, segundo o chefe, não custa nada. Até seria demais se fosse em outro lugar mas lá na sobra tempo e brasileiro com tempo de sobra faz o que? Samba! Os dias correm com os gajos cantarolando grandes clássicos.
No meu primeiro dia de trabalho saí direto pra um club com música brasileira ao vivo de altíssima qualidade, mais mpb. No segundo não faltou vontade mas faltou companhia pro samba que rola aqui mesmo, em Matosinhos, no "Blá blá" ou no "Vicio da Carne". Nao é um "Samba do Ouvidor" ou um "Beco do Rato", mas vale...
A Di Legna fica a poucos minutos da praia de Matosinhos. Isso me deixa em uma situação no mínimo agradável e me concede bons momentos como, por exemplo, o de agora: eu e meu zézinho (meu branquinho perolado da acer), de frente pro mar, à sombra de uma árvore, deitados na canga estendida sobre a grama a ouvir o barulho das ondas, músicas de Chico Buarque e o som das pessoas que perambulam por aqui a aproveitar a tarde de sol.
Só de pensar que meus intervalos vão passar assim alguns dias, noutros serão num café a tomar chocolate quente e escrever um pouquinho sobre minhas divagações ou ainda de algum outro jeito delicioso que dá pra se inventar, já consigo ter ânimo de acordar cedo pra vir pra cá. Até porque não será por muito tempo essa brincadeira. Dura mais uns 2o dias no máximo e eu não quero perder nem sequer um deles. Pois é, está quase no fim.
Estive aqui a pensar, hoje mesmo, no jargão que diz: "No final tudo acaba bem. Se não está bem é porque ainda não é o final". Pois o final está a me fazer timidas cócegas! Só pra lembrar, faltam 23 dias pra abraçar a minha irmã, 36 pra pisar em solo carioca, 38 para o meu próximo fim de semana na Lapa, 40 para comer pastel da feira e feijão-com-tudo-dentro da mamãe, entre outras coisas que estão agendadas no meu coração.
Enfim, enquanto não chega o tão esperado dia, aproveito tudo que o final tem pra me oferecer, na arquitetura antiga que dá charme às ruas, no sotaque português que me faz rir, no sotaque brasileiro que faz sorrir, na água gelada do mar que refresca as tardes de sol na praia, nas surpresas que mudam o rumo das coisas, em tudo que não cabe nessas palavras... Até a última gota!
P.S.: Que rumo dessa prosa... o final nem parece que é do mesmo post que o começo. Acho que foi o mar que deu um caixote nas minhas idéias.












