sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Um último beijo

Minha alma canta. Era assim que começava a música a soar dentro de mim quando o avião se aproximava do chão. Tem muita verdade nos clichês e realmente não há lugar como o nosso lar. Há um pouco mais de uma semana que revivo minha vidinha carioca e tem horas que parece que eu nunca estive fora. Estou muito, muito feliz mesmo, em estar de volta. Algumas pessoas me perguntam se eu não gostava de lá. Eu adorava. Lá é uma delícia, mas eu prefiro aqui, ainda que nem tudo seja flores.

É fácil pensar que há flores por todos os lados quando se está longe mas a realidade não é tão gentil quanto os nossos pensamentos. A coisa é que na 'terra dos pensamentos' dá pra brincar com a realidade e dar a ela os contornos que quiser. A 'terra firme' nem sempre sustenta essa ficção. A realidade é que a realidade daqui me rasgou por dentro. O que não é de todo mal. Quando mexe dentro da gente, a gente se mexe.

Esse é um post de despedida. Não sou muito boa em dizer tchau então não me admira nada que não seja o mais lindo post aqui publicado. Mas eu precisava de um último beijo. Um beijo de adeus. Por favor, sintam-se beijados com gosto de vinho do Porto e pastel de Belém.

É, é um post triste. Mas é também feliz na sua tristeza. Às vezes é preciso se desfazer de coisas queridas para abrir espaço para outras. A noviça rebelde me disse quando eu era pequenina que sempre que Deus fecha uma porta ele abre uma janela. É mais ou menos isso: fecho as portas do “Ora, pois!” e abro a janela do “Tertúlia em Caracóis”.

Obrigada a todos que leram com carinho as minhas palavras distantes, que me fizeram sorrir com comentários amáveis e me acompanharam até aqui. O simples fato de saber que vocês viveriam comigo cada letra foi meu maior incentivo. Obrigada especialmente para quem pediu que eu não parasse. Me convenceu. Agradeço mais uma vez e convido para entrarem pela janela. Confabulem comigo. Fiquem à vontade:

www.tertuliaemcaracois.blogspot.com

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Estou a dois passos do paraíso

Em dois dias desembraco no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, vulgo Galeão, com muita bagagem a mais do que eu trouxe. Ponto.

Apesar o título prometer uma declaração à cidade maravihosa, este post não é para isso. É para dizer que seguem, abaixo deste, os dez dias da trip Poly, Angela, Barcelona, que inclui Porto, Lisboa e Girona também mas foram passagens para aquela que era a idéia principal. Teria sido bacana se eu colocasse um de cada vez nos seus respectivos dias mas só tive tempo de organizar melhor os textos agora, então, aí vão.

Décimo dia; 14/08

"Tudo que é bom dura o tempo necessário
para se tornar inesquecível."

Hora de dar "até logo" para Angela. Ela vai e eu fico mais dois dias. Passamos a manhã a organizar as coisas e enfim: aeroporto. Houve tempo de uma lazanha de mariscos antes de deixar a irmã mais linda que eu tenho pegar o vôo.

Foi um tempo bom que durou. Nem muito, nem pouco: durou. Foi tempo de malhar as batatas da perna, tocar e ver de verdade o que nos mostravam as fotografias online, tempo pra gente se conhecer mais e perceber que nos conhecemos pra além do que imaginávamos. Ainda que algumas coisas não sejam ditas, a gente sabe, e sabe que sabe. Era na propaganda da Sadia que dizia: "é bom saber que alguém te ama de verdade, bom saber que alguém e quer tão bem"? Acho que era... E o querer bem "apesar de" é a magia da coisa. Os apesares que fazem da relação algo especial. Saber que o nosso diferente tem um 'quê' de semelhante e que o nosso semelhante quem um 'quê' de diferente, como cantam no forró, incrementa a relação com essa aura cintilante. É o Amor, minha gente. Não tenho como me cansar de falar Nele.

O dia ainda estava pela metade quando a deixei o que me deu o privilégio de ir à Quinta da Regaleira, em Sintra. Descobri que em Sintra existe um Palácio da Pena! Pena que estava tão longe e não dava pra eu ir. Isso até me soa familiar. Mas o palácio está lá.

De volta a morada em Oeiras, estava eu a divagar com meu branquinho perolado quando o Joaquim sugere um filme:

- Já viu Avatar? Tenho aqui.

Avatar é mesmo um filme que agrada a todos. Ou quase. Tem o romance para os mais sentimentais, tiros o bombas aos montes para quem gosta de "filmes de macho" e tem ideal para aqueles que sonham. Talvez por isso que eu entre no hall dos que gostam. Talvez não. Talvez seja só uma questão de afeto. Talvez me afete. De fato tem uma das coisas que me afeta nesse filme, que me cutuca, são os rituais. Deixamos os nossos cairem no esquecimento, mas os rituais são aquilo que tornam um dia diferente dos outros. Pode ser por isso que, muitas vezes, os dias parecem todos iguais.

Por um motivo ou por outro, eu gosto do filme e foi o assistindo, comendo salada com um queijo, pra variar, delicioso, presunto bem fininho e bebendo algumas taças de vinho que dei boa noite ao último dia da trip Poly, Angela, Barcelona.

P.S.: Aquele presunto rosado que temos no Brasil, aqui chama-se fiambre. Presunto aqui é aquele bem vermelho e salgado que a gente chama de parma.

Nono dia; 13/08

Dia de conhecer a parte nova de Lisboa. Tour arquitetônico contemporâneo para deleite das lentes fotográficas de minha irmã: Parque das Nações, Pavilhão do Conhecimento - Ciência viva, Pavihão de Portugal (mais uma do Siza), e... o Oceanário! Um áquario central gigantesco, com tubarões, peixinhos e peixões. Fora pequenos outros aquários periféricos com tudo quanto é bicho marítimo e outras espécies em representações de habitat com água e terra firme.

Tinha pinguím! Um deles não parava de se exibir na água. Dançava batendo as perninhas e sacudindo o bico pra lá e pra cá. Tinha ainda uns outros que eu aposto que estavam namorando, num cantinho sussegado, deitados, um com a cabeça sobre o outro. Sao tão fofinhos, tão carinhosos, deve ser esse o motivo de cairem tão fácil no gosto da gente.

Tinha aqueles seres quase mágicos que se movem como plumas nas águas e brilham. Tinha estrelas do mar, dragões marinhos e sapinhos minúsculos. E tinha crianças de toda Europa a perambular pelos espaços tão maravihadas quanto eu. Algumas com seus pais, outras em colônia de férias. Pois é, os miúdos têm muitas opções de férias por aqui: atividades nas praias, nos museus, nos parques, cursos, albergues... que sonho!

Depois de ver tanta vida marinha deu vontade de mar. Partiu praia de Cascais! Para melhorar, matei um poquinho da saudade de Coimbra com a companhia de Joana Júlia. Ô coisa boa! Ainda sobrou um restino de energia para ir à um concerto na Casa da Pólvora: XVIII Festival Sete Sóis Sete Luas. Tinha fado, musica espanhola, italiana, árabes... belíssimo ver gente que canta e toca de verdade.

Não importa o calor que faça durante o dia, à noite um casaco se torna necessário e quase indispensável por aqui. O friozinho nos impele ao aconchego noturno. Foi bom pra encerrar o dia.

Nono dia; 13/08

Dia de conhecer a parte nova de Lisboa. Tour arquitetônico contemporâneo para deleite das lentes fotográficas de minha irmã: Parque das Nações, Pavilhão do Conhecimento - Ciência viva, Pavihão de Portugal (mais uma do Siza), e... o Oceanário! Um áquario central gigantesco, com tubarões, peixinhos e peixões. Fora pequenos outros aquários periféricos com tudo quanto é bicho marítimo e outras espécies em representações de habitat com água e terra firme.

Tinha pinguím! Um deles não parava de se exibir na água. Dançava batendo as perninhas e sacudindo o bico pra lá e pra cá. Tinha ainda uns outros que eu aposto que estavam namorando, num cantinho sussegado, deitados, um com a cabeça sobre o outro. Sao tão fofinhos, tão carinhosos, deve ser esse o motivo de cairem tão fácil no gosto da gente.

Tinha aqueles seres quase mágicos que se movem como plumas nas águas e brilham. Tinha estrelas do mar, dragões marinhos e sapinhos minúsculos. E tinha crianças de toda Europa a perambular pelos espaços tão maravihadas quanto eu. Algumas com seus pais, outras em colônia de férias. Pois é, os miúdos têm muitas opções de férias por aqui: atividades nas praias, nos museus, nos parques, cursos, albergues... que sonho!

Depois de ver tanta vida marinha deu vontade de mar. Partiu praia de Cascais! Para melhorar, matei um poquinho da saudade de Coimbra com a companhia de Joana Júlia. Ô coisa boa! Ainda sobrou um restino de energia para ir à um concerto na Casa da Pólvora: XVIII Festival Sete Sóis Sete Luas. Tinha fado, musica espanhola, italiana, árabes... belíssimo ver gente que canta e toca de verdade.

Não importa o calor que faça durante o dia, à noite um casaco se torna necessário e quase indispensável por aqui. O friozinho nos impele ao aconchego noturno. Foi bom pra encerrar o dia.

Oitavo dia; 12/08

Acordamos cedo para (re) organizar as malas. Por sorte conseguimos encher uma delas com minhas papeladas e livros. Estes vão chegar antes de mim. Vão com a minha irmã para ver se assim não ultrapasso o limite de peso da bagagem. É tanta coisa pra levar... Fora a bagagem de mão. Fora a bagagem do coração.

Ainda pela manhã, comboio em Campanhã, no Porto, para a Estação do Oriente, em Lisboa. Deixamos as malas na casa do Joaquim, o amigo da Maria, em Oeiras, e não tardamos em cair na capital lusa.

Havia um roteiro, com mapa, foto, tudo explicadinho, mas sumiu e por isso resolvemos ficar nas mãos do nosso anfitrião. Pra começar, Fábrica da Pólvora, Torre de Belém, Mosteiro dos Jerônimos, Pastéis de Belém, Docas, Armazém do Chiado, Sopa de Pedra, Bairro Alto. Começamos bem, muito bem.

A torre - mesmo em cima do mar - , o mosteiro - que abriga Camões e Vasco da Gama - e os pastéis - que como os de lá não há igual - ficam todos no mesmo sítio. Foi à caminho deste sítio que passamos por Dafudo (é cada nome que esses portugueses inventam). Lá, à beira do mar e da linha de comboio, morava meu pai e mora o meu tio João. Nunca havia conhecido meu tio, nem falado com ele, nem visto se não algumas fotos, talvez, que me falham à memória. Mas eu sabia que alí ele morou com meu pai, vó Deodata e Vô Antônio Lourenço. E sabia que agora ele morava por alí em outra casa com a sua esposa.

Quando passavamos pela rua principal do lugarejo, ví em uma das ruas transversais a tal União Recreativa do Dafundo, o clube do qual minha mãe nos contou que meu tio fazia parte. Pensei: Ó pá, se calhar indo lá descobrimos onde mora o tio! Assim fomos à cata do João Lourenço, marido da Idalina. Chegando ao clube as informações que a minha mãe deu ao telefone foram precisas: "Sai do clube e olha para a esquera, na esquina. Viu uma casa verde? É alí, no primeiro andar."

Caminha, caminha, atravessa a rua, ajeita o cabelo, interfona, espera... Uma senhorinha abriu a janela e olhou com cara de "quem são estas raparigas?".

- Dona Idalina? Eu sou Polyana, ela é Angela. Somos sobrinhas do João. Filhas do Vitor.

Na simples casinha portuguesa, rimos com as histórias divertidas do João. Vimos fotos do meu pai maroto de boca de sino, jaqueta de couro, topete e bigodão. Soube que ele era estudioso e bonito de parar o trânsito, segundo o meu tio. E conversamos, conversamos, conversamos...

Foi assim que conhecemos nosso tio português. Foi assim que ele abraçou as sobrinhas brasileiras. Foi mesmo assim.

Sétimo dia; 11/08

"As estrelas são todas iluminadas...
Não será para que cada um possa um dia encontrar a sua?"

(O Pequeno Príncipe)

Como apresentar o Porto à minha irmã em um só dia se nem eu que fiquei quase dois meses dei conta de conhecê-lo como queria? Whatever... Vamos começar pelo Niemeyer de Portugal: Álvaro Siza. O arquiteto contemporâneo que fez a as Piscinas de Leça, a Casa do Chá, a Fundação Serralves, a estação de metro de São Bento, entre outras coisas, mas estas foram as que visitamos.

Entre as paradas em Siza teve descanso na praia, pizza de gambas (camarão), de atum, de salmão, de chouriço, Sagres ruiva, Haggen Dazz. A hora vai passando e a gente nem sente. Até porque o sol se mantém firme e forte até às vinte e tantas.

O dia acaba tarde mas o horário de funcinamento dos estabelecimentos não. Sorte a minha ter estado no Porto há mais tempo para desfrutar dos jardins de Serralves, das exposições, das salas da Casa da Música que por hora está em reforma. Por agora foram menos passeios por dentro, mais passeios por fora. Fomos à Catedral e de lá descemos as ruas tortas e estreitas até a Ribeira. O sol desceu conosco em passos lentos, compartilhando seu brilho com o rio D'ouro até que a sua luz deu lugar às várias luzes que abraçam o rio quando o céu escurece.

O Rio D'ouro é a divisa entre Vila Nova de Gaia e o Porto, Porto mesmo. Da margem de cá víamos em Gaia as caves de vinho com seus letreiros florescentes, os monumentos envoltos por auréolas e milhares de outros pontos luminosos que eram como estrelas baixas. Com tantos focos de luz pouco se notava as estrelas altas, mas ainda assim elas estavam lá a agraciar a noite como sempre estiveram.

É facil se deixar levar pelo brilho ds estrelas baixas, das mais próximas, ainda que as altas estejam à espera, aguardandando cintilantes o dia do encontro. Não tem mal. É mesmo assim. As pequenas estrelas continuarão a brilhar. Para que, quando as luzes baixas se apagarem, cada um possa, um dia, encontrar a sua.

"As estrelas são belas por causa de uma flor que não se vê..."
(O Pequeno Príncipe)